Atualização no diagnóstico e acompanhamento laboratorial das Hepatites virais tipos: A; B; C; e D1. Introdução: Constantemente os cientistas estão estudando novas técnicas para a realização de exames laboratoriais e sua aplicação no diagnóstico e acompanhamento das doenças. As hepatites têm merecido atenção especial nesse sentido, uma vez que determinados ensaios não apresentam 100% de sensibilidade e especificidade para a detecção de determinado antígeno ou anticorpo. Sendo assim, é necessário que periodicamente sejam atualizados os esquemas para utilização dos testes laboratoriais.
2. Nomenclatura:
HAV ou VHA Vírus da Hepatite A anti-HAV ou
anti-VHAAnticorpos contra o Vírus da Hepatite A HBsAg Antígeno de superfície da Hepatite B anti-HBc Anticorpos contra o antígeno “core” da Hepatite B HBeAg Antígeno “e” da Hepatite B anti-HBe Anticorpos contra o antígeno “e” da Hepatite B anti-HBs Anticorpos contra o antígeno da superfície da Hepatite B HBV-DNA Pesquisa de DNA do Vírus da Hepatite B HCV ou VHC Vírus da Hepatite C anti-HCV ou
anti-VHCAnticorpos contra o Vírus da Hepatite C HCV-RNA Pesquisa de RNA do Vírus da Hepatite C por técnica de PCR (PCR para HCV ou PCR-C) HDV Vírus da Hepatite Delta anti-HDV Anticorpos contra o Vírus da Hepatite Delta 3. Diagnóstico da Hepatite A chave da diferenciação das Hepatites virais é a sua capacidade para evoluir de doença aguda para doença crônica. A doença hepática aguda tem um período curto de evolução. A hepatite crônica tem uma duração maior que seis meses e os níveis das enzimas hepáticas apresentam-se anormais por um período mínimo de seis meses. Os vírus: B,C e D podem causar hepatite crônica.
Os sintomas de infecção aguda são similares para os tipos de hepatite: anorexia, mialgia, fadiga e náusea. Esses sintomas se desenvolvem normalmente de uma a duas semanas antes da icterícia. Enquanto hepatite sintomática é difícil de passar desapercebida, a icterícia ocorre em menos da metade das pessoas infectadas.
Os marcadores bioquímicos mais característica da infecção hepática são ALT/GPT (alanina aminotransferase) e AST/GOT (aspartato aminotransferase) que estão elevados em conseqüência da lesão do tecido hepático infectado. Porque os vírus podem causar doenças agudas que se apresentam de maneira similar, o diagnostico depende dos resultados de testes de sorológicos específicos destinados a identificar o agente viral e, quando possível, distinguir infecções agudar e crônicas.
4. Esquemas para avaliação O esquema a seguir, foi elaborado visando facilitar a interpretação dos testes imunológicas das hepatites.
Quando da suspeita de hepatite viral deve-se solicitar inicialmente: anti-HAV IgM; anti-HCV e HBsAg. O soro reagente para anti-HAV IgM indica uma infecção recente por HAV, independentemente do resultado do HBsAg, pois, pode ocorrer uma infecção por HAV em um portador crônico de HBV. A detecção de anticorpos anti-HCV naquela amostra de sangue sugere a presença de infecção por HCV, o que deve ser confirmado com a detecção do HCV por PCR, que atualmente substitui o RIBA (ensaio utilizado também para confirmação de HCV). Um resultado negativo de anti-HCV não descarta a infecção uma vez que a viremia é intermitente. Desta forma se faz necessário a repetição do exame anto-HCV (ELISA) após um período de 3 meses.
O soro reagente para HBsAg indica infecção por HBV aguda ou crônica e a determinante para a diferenciação das duas fases de doença é a presença de anti-HBc IgM que está positivo quando da fase aguda. No período de incubação da hepatite B o anti-HBc IgG estará sempre positivo.
É necessário estudar o grau de infectividade da hepatite B que se faz através de pesquisa deHBeAg a anti-HBe. Quando o sôro é reagente para HBeAg a infectividade é alta, por outro lado quando da presença de anti-HBe o grau de infectividade é baixo.
A imunidade contra a hepatite B é pesquisada através da determinação de anti-HBc e anti-HBs, ou seja, o soro reagente para esses dois anticorpos indica infecção prévia por HBV ou imunidade adquirida (vacina).
5. Hepatite Delta O vírus da Hepatite Delta (HDV) é um vírus do tipo RNA incompleto que necessita HBV para a sua replicação, assim, pode ocorrer em pacientes HbsAg sôro reagentes. Há dois tipos de infecção por HDV: coinfecção e superinfecção.
Coinfecção: quando a infecção por HDV ocorre simultaneamente à do HBV produzindo um quadro de hepatite aguda clássica se cronificando em 10% dos indivíduos que se tornam portadores de ambos os vírus (B e D).
Superinfecção: o portador crônico do HBC se infecta com o vírus D.
5.1 Diferenciação sorológica entre Coinfecção e Superinfecção:
Para diferenciar esses dois estados de doenças realiza-se:
- anti-HDV
- anti-HBc
- anti-HBc IgM
Coinfecção:
- anti-HDV: REAGENTE
- anti-HBc IgM: REAGENTE
- anti-HBc: NÃO REAGENTE
Superinfecção:
- anti-HDV: REAGENTE
- anti-HBc IgM: NÃO REAGENTE
- anti-HBc: REAGENTE
6. Aplicações dos ensaios de HBV-DNA e HCV-RNA: 6.1 O ensaio de HBV-DNA
acessa diretamente o vírus circulante em um indivíduo infectado ajuda a predizer a resposta ao interferon (pacientes que apresentam um baixa carga viral antes do tratamento têm mais chance de responder) monitora a eficácia da terapia (HBV-DNA cai rapidamente naqueles pacientes que responderam ao tratamento) constitui-se como informação adicional para a confirmação diagnóstica naqueles casos que apresentarem uma sorologia ambígua6.2 O ensaio de HCV-RNA
acessa diretamente o vírus circulante em um indivíduo infectado avalia suspeita de infecção aguda por HCV antes da soroconversão determina a carga vital antes da terapia com interferon (baixa carga viral está associada com maiores taxas de resposta ao interferon) monitora a eficácia da terapia com interferon (os níveis de HCV-RNA declinam durante a terapia) utilizado para confirmar os resultados positivos de ELISA para anti-HCVMarcadores diagnósticos das hepatites virais:
Estágio da Infecção HAV HBV HCV HDV Doença Aguda anti-HAV IgM anti-HBc IgM anti-HCV HDVAg Doença Crônica -- -- HBsAg anti-HBc anti-HCV anti-HDV Infectividade -- -- HBeAg; HBsAg
HBV DNAanti-HCV
HCV-RNAanti-HDV Recuperação -- -- anti-HBe; anti-HBs -- -- -- -- Portador -- -- HBsAg
anti-HBc-- -- anti-HDV;
HDVAgTriagem para Imunidade anti-HAV total anti-HBs; anti-HBs -- -- -- -- Referências:
- Kunhs, Mary C. . Viral Hepatitis, part 1. Laboratory Medicine. ASCP Press, 26:10; 650-659, 1995
- Kunhs, Mary C. . Viral Hepatitis, part 2. Laboratory Medicine. ASCP Press, 26:12; 786-793, 1995
- Hollinger FB and Dreesman GR. Hepatitis virus. In Manual of Clinical Laboratory Immunology, 4th ed. NR Rose, et al., eds 1992; Washington: Am Soc Microbiol, 634-650.
- Arup Laboratories. Interpretive Data Guide, january 1996.